4 de set de 2016

3.2...

Não vou começar o post com o cumprimento de sempre, porque hoje não é um post de sempre... Hoje teremos um post de minhas viagens mentais, portanto todos sintam-se cumprimentados. :)

Eu fui uma adolescente sem tv a cabo e sem internet... Na minha época esses ainda eram recursos muito caros e meus pais (e para a grande maioria da população da minha cidade), que sempre nos deram muito amor, carinho e atenção, mas nunca dispuseram de muitos recursos para investir em coisas materiais. Acho que pode-se dizer que fui da ultima geração antes de toda essa era digital, o que é muito bom e muito ruim ao mesmo tempo...
Muito bom porque pude ser "moleca" até uns 13 anos ou mais. Brincava todo o tempo possível na praça da igreja perto da minha casa, antes disso na rua de terra em que morávamos, antes disso nos quintais imensos... E essas lembranças são joias raras em minha vida. Vivia com as pernas raladas mas era uma criança muito feliz. Ia para a escola cedinho, chegava direto para o almoço, depois dever de casa e o resto dia dia era brincar, até o momento em que minha mãezinha me gritava ordenando o banho. A parte muito ruim de ter crescido nessa época foi não ter tantas fotos para marcar esses momentos maravilhosos (é, sempre serei a louca da foto!), visto que pouco depois a câmera digital chegou para a população e as coisas ficaram muito mais divertidas. Mas apesar dos pesares acredito ter tido uma infância muito melhor do que muitas crianças modernas de hoje.

Mas tudo bem, apesar de não ter tido internet ou tv a cabo eu me divertia muito na TV aberta da época... Tom e Jerry, Doug Funnie, Castelo Ra Tim Bum, a turma do Perna longa, etc eram bons companheiros de aventuras. E depois quando adolescente eu me encantei pelas séries que passavam aos domingos no SBT (ou Tv Alterosa em alguns estados). E se me lembro bem, a preferida na época dos 15 - 16 anos era a Gilmore Gils (ou Tal mãe tal filha em português, mas acho esse nome nada haver). Eu me identificava muito com a Rory e toda aquela confusão de adolescente dela/minha.

Dai que a poucos dias atrás resolvi buscar pela série na Netflyx (já que agora a inclusão digital chegou na maior parte do mundo, inclusive pra mim :D) e pensei, ah vou assistir de novo, afinal não me lembro mais de nada além de gostar da série e de me identificar com a Rory.

E então veio o choque... Me identifiquei em várias situações com a Lorelai e em nada mais com a Rory, muito pelo contrário, em vários episódios me peguei pensando "nossa que menina boba". E então veio "aquele estalo" na minha cabeça... 32!!!  É claro que eu não fui mãe aos 16 (nem em idade nenhuma até o momento). É claro que a minha vida não tem nada haver com a dela, mas o choque foi perceber que o tempo passou voando e eu, que sempre me identifiquei na posição da filha adolescente, hoje me identifico com a personagem adulta de 32 anos. E aí comecei a rir de como as coisas mudam, como a cabeça da gente muda, como a visão do mundo se torna totalmente diferente em tão pouco tempo que, é ao mesmo tempo, muito tempo! Já são os famosos 16 em cada perna e no entanto parece que foi ontem. E o tanto de coisas que eu vivi nesse "de ontem para hoje" nem daria para contar...

E aí me deparo com as lembranças de Facebook e com a minha famosa contagem regressiva para a data de aniversário, porque sim, eu amo fazer aniversário, todo ano encho a paciência de todo mundo com a minha contagem regressiva para ninguém esquecer de me dar parabéns, e principalmente, não há nada que você possa me dizer que vá fazer eu repensar isso. Posso no máximo concordar com o blá blá blá de quem acha fazer aniversário ruim, para fazer a pessoa se calar, hahahahaha.

Eu juro que não entendo esse mimimi das pessoas de que não é bom fazer aniversário porque você fica mais velho... Gente, mais velho nós ficamos desde o dia que nascemos... O único jeito de não envelhecer é morrer jovem, e isso sinceramente não me agrada. Mais velhos ficamos a cada manhã ao despertar e a cada noite ao adormecer, mas isso não é ruim, muito pelo contrário. Cada despertar na manhã é mais um presente de Deus, mais um dia dado a você para fazer o seu melhor. A cada noite no momento de adormecer, significa que você viveu mais um dia e fez (ou não) o que de melhor poderia ter feito. Você viveu, comeu e bebeu, respirou, caminhou ao mesmo tempo em que tantas pessoas davam o seu ultimo suspiro de vida... Você teve a oportunidade de ajudar alguém, mesmo que em uma tarefe simples ou talvez em algo grandioso, enquanto outros estendiam a mão desesperados por ajuda e não a receberam... Você sorriu para o bebê no ônibus ou para qualquer bobagem que tenha ouvido enquanto outros choram de dor ou desespero... Você trabalho e tolerou aquele chefe péssimo enquanto tantos pais de família não sabem como colocar comida dentro de casa, sendo que está em suas mãos buscar outro emprego que te faça feliz. E depois de tantas coisas boas, de ter saúde, de ter alimento, de ter pessoas para amar e ser amado, de ter um local para morar, você ainda vai se apegar a data em que se fecha mais um círculo da sua vida e se inicia outro? Eu me nego!

Meu aniversário é o meu ano novo pessoal, todo meu! Deveriam soltar é fogos pra mim (nãaaaaaaaao, eu odeio fogos, odeio o cheiro de fogos, odeio o barulho de fogos e ainda odeio que assustam ao meu cachorro!). Não é no dia 04 de setembro que eu fico mais velha, penso que comecei a envelhecer mais um ano a partir do dia 5 de setembro, e sou muito grata a Deus por ter podido chegar até aqui, o dia do aniversário é apenas uma data a celebrar todos os outros 365 dias vividos e não simplesmente: páaaaaaaa num passe de mágica estou um ano mais velha e acabada. Que idiotice, afinal eu estou apenas começando a viver! E sinceramente acabada está a vida de quem está lá no túmulo, porque para quem ainda caminha e respira, existem milhões de oportunidades, caminhos, opções e possibilidades.

Então meus amores, vamos comemorar sim o meu aniversário, vamos comemorar sim o aniversário de vocês e vamos comemorar sim o aniversário de quem estiver por perto. Se for possível asse um bolo para a pessoa, se não for possível o bolo, roube uma flor no jardim e entregue a pessoa. Te juro, já ganhei uma azaleia pink roubada de um jardim por uma pessoa muito querida e o gesto dela adicionado ao carinho que ela teve, ficaram guardados para sempre na minha memória (Edilia nem sei se você lê o meu blog, mas se acaso ler, saiba que seu gesto fofo ficou guardadinho no meu coração para sempre).

Olhando por esse ponto de vista, posso concluir que, 16 anos passaram para mim aparentemente num piscar de olhos, apesar de ter sido um tempo considerável de vida. E então fico imaginando como deve funcionar o momento da morte, naquele ultimo segundo, o último suspiro... Deve haver de novo o pensar, "nossa mas passou tão rápido"... E não estou nem dizendo isso para ser fúnebre ou "papo de doido não, é que de fato a única certeza que se pode ter nessa vida é que um dia todo mundo vai morrer, que seja bem longe de hoje, mas que vai, vai! É melhor aprender a lidar com isso o quanto antes. E se esse dia é a única certeza que se tem, gostaria de que essa sensação de que passou rápido de mais não viesse acompanhada pela tristeza de não ter vivido intensamente cada momento da minha vida, ou por arrependimentos desnecessários, remorsos infelizes... Em meu último segundo de vida (se Deus permitir bem velhinha em uma cama quentinha) quero sentir gratidão de ter vivido uma boa vida, por ter plantado bons frutos, pela alegria de ter feito o melhor que podia em cada momento, por ter ajudado a quem pude ajudar. Quero me lembrar de ter abraçado muito, amado muito, sorrido muito, e de ter sido grata a Deus por cada dia desta vida, porque como se diz aquela frase não sei de quem, o passado já se foi, o futuro ninguém sabe, mas o presente... Ah esse é todo seu!
Baby Gi, acredito que com cerca de 6 meses de idade nessa foto. Bebezinho lindo, eu acho e a minha mãe também. 

Gi adolescente, exatamente 16 anos, como disse a foto não era um forte da época. Desse tempo eu só queria ter de volta essa magreleza que eu amava hahahaha. Passava horas tentando fazer cachos no cabelo, ainda não existia babyliss.
Gi atual, quase 32. O cabelo já não é o mesmo, a pessoa já não é a mesma, mas essa é a melhor versão de mim.


Um abraço bem gostoso







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